segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Grammy Latino

Latin Grammy no Brasil, um mico só


Boas apresentações ao vivo não conseguiram salvar festa que ocorreu pela 1.ª vez simultaneamente em São Paulo e Houston

fonte:(ou copia barata http://txt.estado.com.br/editorias/2008/11/15/cad-1.93.2.20081115.8.1.xml
Livia Deodato

Não fossem os micos, a noite não seria tão divertida. A 9ª edição do Grammy Latino, que contou com uma festa em São Paulo paralela à entrega em Houston na quinta-feira, alardeada como a primeira autorizada fora dos Estados Unidos, teve confusão generalizada na troca de convites por ingressos no hall do Auditório Ibirapuera, candidatos anônimos concorrendo - e ganhando! - prêmios daqui, uniforme para apresentadoras e artistas latinas e brasileiras, e até troca de envelopes de premiados, o que levou ao anúncio errôneo do vencedor.

Talvez pelo fato de os troféus não serem entregues na festa brasileira (serão posteriormente enviados pela Academia Latina de Artes e Ciências de Gravação para a residência de cada premiado), os artistas brasileiros resolveram não aparecer por lá - à exceção, é claro, daqueles convidados para se apresentar na festa, como Chitãozinho & Xororó ao lado de Renato Borghetti, únicos a levantarem a platéia no vibrato da clássica Brincar de Ser Feliz.

Com um “participe e sorria: você é parte importante desta gravação” em off, teve, então, início à premiação de brincadeirinha comandada por Daniella Cicarelli e Marcelo Tas. A Band, que investiu cerca de US$ 1 milhão, foi a emissora responsável pela organização e transmissão nacional e exclusiva do prêmio. Os Meninos do Morumbi abriram a noite com o guitarrista Andreas Kisser, compondo uma trilha especial para as acrobacias da companhia de dança de Deborah Colker. A festa, que começara bem animada, não demorou nem cinco minutos para dar o primeiro escorregão de uma série. Nelson Sargento e Marcelo D2, após entoarem ironicamente a canção Samba Agoniza Mas Não Morre numa mixagem do samba com o rap, anunciaram Beth Carvalho como vencedora do melhor álbum de samba/pagode (Canta o Samba da Bahia - Ao Vivo). Mas na legenda transmitida para todo o País apareceu o nome de Paulinho da Viola e seu Acústico MTV.

Dada a desorganização na troca dos convites de papel pelos ingressos, o que fez com que muitas pessoas desistissem de entrar e dessem meia-volta no tapete vermelho, algumas poltronas do gargarejo permaneceram vazias nos primeiros quadros. No segundo intervalo, um desesperado integrante da equipe da Band gritou para sua colega: “Vai lá atrás, rápido, e busca algumas meninas. Bonitas, por favor.” Não deu tempo e o número de cadeiras vazias só foi aumentando com o passar da hora. “Por favor, permaneçam sentados. Entraremos ao vivo dentro de alguns instantes”, pedia, clemente, um produtor em off.

Enquanto isso, Daniella Cicarelli, Marina de la Riva e Daniela Mercury aqui, e Gloria Estefan e as apresentadoras latinas de lá, subiam ao palco desfilando um uniforme-base: vestidos curtos ou longos, mas todos cheios, muito cheios de babados.

As divertidas irmãs Galvão subiram ao palco para anunciar o ganhador do prêmio para álbum de música tradicional regional ou de raízes brasileiras. Abriram o envelope com certo custo (“enfia logo o dedo aí!”, disse uma delas) e revelaram em alto e bom som: “Seu Jorge!” A platéia aplaudiu, sem se dar conta de que Seu Jorge não estava concorrendo naquela categoria, e sim na de música popular brasileira, que ainda estava por vir. “Ih, acho que deram o papel errado pra gente...” O ponto as salvou e elas corrigiram rapidamente o nome do vencedor para o pai e o tio de Sandy e Júnior.

A grande surpresa, no entanto, ficou por conta do primeiro lugar na categoria canção brasileira. Disputando com Acode, de Vanessa da Mata e Sergio Mendes, e Delírio dos Mortais, de Djavan, entre outros, a considerada “melhor” canção brasileira foi Som da Chuva, dos quase famosos Marco Moraes & Soraya Moraes. Aplausos esparsos e constrangidos.

O que chamou bastante a atenção também foi a mudança repentina do nome do Auditório Ibirapuera para Auditório TIM, que saía da boca de todos os portadores do microfone. Mário Cohen, presidente do Instituto Auditório Ibirapuera, que é gerido em parceria com a Prefeitura e mantido pela operadora TIM, desconversou. Disse que houve um engano por parte da organização da Band. “Vamos ter de conversar com eles depois. O nome do auditório não vai mudar. A TIM é somente a mantenedora.”

A festa terminou com homenagem Carmen Miranda, cujo centenário de nascimento se dá em 9 de fevereiro de 2009. E com um “Viva Obama!”, de Daniela Mercury.

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